sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Os trabalhos encontram-se encerrados...

É com grande tristeza que venho dar esta noticia, mas infelizmente os trabalhos do Grupo de Teatro G.B. 22 de Maio 1925, acabaram por tempo indeterminado.
O porquê desta situação perguntaram vocês, e eu na minha função de ex-coordenadorada e ex-encenadora respondo-vos que como diz o ditado "sem ovos não se fazem omeletes", logo sem pessoas não se fazem trabalhos e andar desde Agosto a caminhar para ensaios com 2 pessoas é muito desgastante e deprimente.
Cheguei ao meu limite... pode ser que agora pese a consciência a alguém.
Quero agradecer à Andreia que me acompanhou neste últimos meses, pela sua força, determinação, ao Vitor por nos ter acompanhado em alguns ensaios e ao Mauro pela sua franqueza.
Ao público que nos via, obrigado pela sua presença nos espectáculos, à direcção obrigado pelo "apoio" dado.
E uma última palavra para alguém que ao ler isto sorri e não partilhe da mesma tristeza, o caminho está aberto, podem avançar, só peço é que se alguém continuar este projecto, que o faça da melhor maneira, sempre honrando a arte de palco.
Um bem haja a todos.
Saudações Teatrais

Sandra Cabaços

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Opcções Teatrais...

Passados 78 anos de trabalho, este Grupo encontra-se mais uma vez na fase de criativa de uma nova peça de teatro.
Não é um texto de nenhum autor conhecido, pois os orçamentos que temos para cada novo projecto é de preferência, o mínimo possivél... logo os gastos em pagamentos de direitos de autor são incomportáveis.
Já que falamos em orçamentos e fugindo um pouco ao tema deste pos't, quero contar um pequeno episódio, que me aconteceu. Há umas semanas atrás, por "descuido" veio-me parar à mão uns papeis, onde estavam descriminados os valores de apoio que a CMS vai dar a grupos amadores, mas atenção, quando falo em grupo amadores e agora pasmem-se... são todos os grupos de qualquer coisa... amadores, todos, exceptuando os Grupos de Teatro.
Portanto, nós não existimos... É de facto muito triste... Mas passando à frente.
Quando um grupo pensa em começar um novo projecto, ou se têm alguém que se saiba "mexer", ou que tenha pelo menos dinheiro para comprar os direitos das peças de autor, ou agarramos em textos de ano de 188... e troca o passo (que me perdoem, mas muitas dessas textos, não se adequam à realidade do teatro amador português), ou então existe alguém no grupo, que escreve umas coisas e lá se escolhe o novo projecto.
Foi o que aconteceu mais uma vez. Desta vez o texto é meu, escrevi-o propositadamente para a situação actual do grupo (4 mulheres), mas acreditem que apesar de já termos lido bastantes vezes e de me dizerem que o texto está bom, continuo com receios, umas vezes que não esteja assim tanto à altura, outras que tenha exagerado em algumas cenas e outros dilemas que tais...
Sim, porque não me esqueço na altura do "Esboço...", que apesar de as críticas terem sido óptimas, existir sempre alguém a desfazer o que já está feito...
Quando falo nisso, falo por exemplo da questão de alguém ter referido " Agora que começaram a fazer textos escritos por eles, não vão querer fazer mais nada." (As palavras podem não ter sido à risca estas , mas a ideia é esta).
E eu pergunto, e isso é mau?
Um grupo ter capacidade de criar trabalho é negativo? Penso que não...
Tenho presente na memória, o dia em que se leu a 1º vez esse texto e toda as pessoas que estavam naquela sala foram peremptórias a concordar, "Temos peça... Fantástico!..." e foi, apesar de todas as dificuldades e mil e uma peripécias pelo meio, o resultado final foi o que se viu.
Com o texto de "Vidas ao quadrado" espero que consigamos fazer tão bem ou ainda melhor, do que já fizemos no passado.
Este texto nasceu de uma conversa de circunstância e em dois meses passou a ter forma.
Agradeço ao Mauro, ao Vitor, à Rafa e à Andreia as nossas conversas de "circunstância", pois sem elas este projecto não existiria.
Já agora... é um orgulho imenso ter um texto meu, no palco do G.B., após 13 anos dedicados ao Teatro Amador.
Acredito que nós as quatro (Rafa, Andreia, Gui e eu) vamos mais uma vez provar, que não é preciso agarrar em textos de grandes autores, para fazer brilhar o pirilampozinho que existe dentro de nós....

sábado, 29 de setembro de 2007

78 anos de vida...



Pois é, o Grupo de Teatro G.B. 22 de Maio comemora hoje 78 anos de vida.
É certo que com com alguns interregnos pelo meio, mas o que é certo é que estamos cá e fazemos os possiveis para honrar o Teatro Amador.
É pena, é que realmente todo o trabalho a que nós nos propomos, é sempre muito dificil de o concretizarmos, no entanto não desistimos.
A prova disso, é que o Grupo neste momento se resume a três mulheres, no entanto não baixamos os braços e a prova disso é a nova peça de teatro "Vidas ao quadrado".
Esta peça conta a história de uma jovem que fica com a sua vida virada do avesso, quando num acto de loucura mata o namorado, pois já não aguentava mais os maus tratos de que era vítima.
Não vamos contar mais nada para já... se não perdia a piada, não era?
Daqui a uns tempos vai ser colocada aqui a sinopse da peça e mais informações....

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Começaram os ensaios...

Começaram os ensaios da nova peça "Vida ao quadrado"... agora vamos por a mão na massa...
Em breve mais novidades, tais como a história da peça, as intervenientes e mais sobre cada uma de nós...
Até lá saudações teatrais....

Elenco da peça "Vidas ao quadrado"

Depois de algumas dúvidas, finalmente podemos dar a novidade:



Rafaela Costa na personagem "Presa 1"


Andreia Crisóstomo na personagem de "Advogada"


Sandra Cabaços na personagem de "Guarda Prisional"


Magda Oliveira na personagem de "Presa 2"

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Ainda a propósito do "Esboço do Destino"

Ainda a propósito da peça "Esboço do Destino" deixamos aqui a noticia publicada no Jornal de Sintra. O nosso muito obrigado ao jornalista António Faias que se disponibilizou para estar presente na nossa estreia.



sexta-feira, 27 de julho de 2007

Desistir é a arma dos fracos...

Para aqueles que pensam que por causa de uma andorinha, morre a primavera, a nossa resposta é desistir é a arma dos fracos...

Frase retirada do Blog "http://anonimato.net/sociedade.html

"Toda pessoa possui uma lata de tinta nas mãos.
Saber utilizá-las da forma correta é uma grande arte que se aprende ao longo da estrada.
Às vezes, acerta-se de primeira. Noutras, cometemos pequenos erros nos desenhos.
O segredo é não desistir quando fazemos rabiscos errados, pois sempre dá para passar outra tinta por cima... "

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Esboço do Destino - dia 28 de Julho Cancelado

Por motivos de ordem técnica, o espectáculo marcado para dia 28 de Julho não será efectuado...
Pelos transtornos causados o Grupo de Teatro pede desculpa.

Até breve!
Saudações Teatrais.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Será que tens o bichinho do palco?

Existe um bichinho que habita nas tábuas do palco e que tem o costume de morder as pessoas. Já o viste alguma vez?
Se calhar até já foste mordido por ele...
Se isso te aconteceu, o Grupo de Teatro G.B. 22 de Maio de 1925 está admitir pessoas responsáveis e com sentido de compromisso e que queiram fazer parte dos novos desafios para o ano 2007/2008.
Se gostavas de ser actor/actriz amador, se entendes e gostas de trabalhar com música e luzes, se gostavas de dar asas à imaginação e te encontras na zona de Sintra e arredores...junta-te a nós.
Os nossos ensaios são às terças e quintas das 21.30 às 23.30.
Contacta-nos para o e-mail
gb22maio.teatro@sapo.pt

terça-feira, 19 de junho de 2007

Dia 22 voltamos a cena...

Após termos a agradavél surpresa de termos a casa cheia no passado sábado dia 16, vamos voltar a cena esta sexta-feira dia 22 de Junho.
Esperamos por vós no G.B. 22 de Maio.

Até lá... "Que comece a vida"...

Cumprimentos Teatrais
O Grupo de Teatro

domingo, 17 de junho de 2007

A prova de esforço e dedicação...

Algumas fotos do "Esboço do Destino", dia 16 de Junho de 2007....
























sexta-feira, 15 de junho de 2007

É incrível mas é verdade...

Esperei até ao dia de hoje para escrever este pos’t.
Há cerca de duas semanas dei-me ao trabalho de enviar um e-mail para alguns sítios, inclusive os jornais diários gratuitos com o cartaz do “Esboço do Destino” e a sua sinopse.
Sempre esperei que dessem alguma atenção e publicassem nem que fosse uma minúscula frase sobre o caso, mas não...pelos vistos somos tão insignificantes, que nem isso merecemos...
É bom saber que os grupos amadores são tratados desta maneira, no entanto questiono-me se por acaso no cartaz viesse referido que tínhamos como actor convidado ou como encenador uma figura pública, aí o caso já mudaria de figura, ou seja dava mais visão à coisa se é que me compreendem...

Não faz mal, amanhã sabemos que todo o nosso trabalho vai ser recompensado com as palmas de uma casa cheia...
Amanhã vai ser uma noite memoravél...

Sandra

Carta ao Jornal "Meia-Hora"

Teatro por amor à camisola...

Quando li o editorial do vosso 1º número, chamou-me a atenção falarem da liberdade de expressão, hoje qualquer um de nós pode falar no próprio tema sem qualquer problema, ou pelo menos pensamos nós que sim.
Precisamente por isso, resolvi escrever-vos. Resolvi propor-vos que façam uma pesquisa e dêem uma oportunidade a quem trava “duras” batalhas pela sua própria liberdade de expressão. De entre muitos que o fazem eu pertenço a um desses grupos, os grupos de teatro amador. Pode até parecer estranho, mas sim, estes grupos lidam todos os dias com as mais adversas dificuldades para pôr de pé um espectáculo por mais pequeno e simples que seja.
Desde orçamentos reduzidos quando não inexistentes, carência de actores e técnicos, tentativas de agradar a “gregos e a troianos” (vulgo público) e uma força de vontade de sonharmos ser um bocadinho maiores do que na realidade somos, de tudo nós temos um pouco.
Quando se fala que existe falta de público para assistir a peças de teatro, não posso deixar de esboçar um sorriso e pensar nas salas quase sempre cheias que conseguimos ter, quando fazemos um novo espectáculo (diga-se de passagem que gratuito).
Os melhores prémios que recebemos são sem dúvida as palmas do público, no entanto sempre que estamos em ensaios sentimos muitas dúvidas e angustiamo-nos se o caminho que tomamos é o mais correcto.
Como em tudo existe a critica, por vezes injusta, muitas vezes cortante, vinda de pessoas que de teatro percebem muito pouco e que estão apenas habituadas a que os “coitadinhos” dos grupos amadores apresentem sempre as mesmas “xaropadas” de comédias do inicio do séc. XX ou revistas à portuguesa em que a piada escasseia e os textos são deprimentemente maus.
Mas essas opiniões são o que nos dá alento para continuarmos a ser uma classe de resistentes.
Um dia, perguntaram-me porque não ia para o conservatório? E eu respondi simplesmente, porque me sinto muito bem na minha pele de actriz amadora.
Mesmo sendo um caminho árduo, sinto-me feliz por vestir a camisola (tal como qualquer um dos meus colegas) e conseguir “formar” futuros jovens actores, mas mais importante do que isso, formá-los para que sejam os homens e as mulheres do futuro, com sentido de responsabilidade e de empenho e que saibam dar valor, ás “pedras” que aparecem ao longo da vida.
Tal como dizia Fernando Pessoa “Pedras no caminho?... Guardo todas, um dia vou construir um castelo.”


Sandra

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Esboço do Destino


Grupo de Teatro G.B. 22 Maio de 1925 da Idanha apresenta:


Esboço do Destino


16 de Junho / 28 Julho às 22.00
na Sociedade Recreativa G.B. 22 Maio de 1925 da Idanha

17 de Junho
1º Encontro Grupos de Teatro Centro Lúdico das Lopas/Agualva-Cacém


terça-feira, 29 de maio de 2007

Porque vai correr tudo bem....

Hoje deixo aqui um poema de Fernado Pessoa, li-o ontem e tocou-me muito, acho que se ajusta na perfeição ao momento que estamos a viver agora...

Palco da Vida

Você pode ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não se esqueça de que sua vida é a maior empresa do mundo.
E você pode evitar que ela vá à falência.

Há muitas pessoas que precisam, admiram e torcem por você.
Gostaria que você sempre se lembrasse de que ser feliz não é ter um céu sem tempestade, caminhos sem acidentes, trabalhos sem fadigas, relacionamentos sem desilusões.
Ser feliz é encontrar força no perdão, esperança nas batalhas,
segurança no palco do medo, amor nos desencontros.

Ser feliz não é apenas valorizar o sorriso, mas refletir sobre a tristeza.
Não é apenas comemorar o sucesso, mas aprender lições nos fracassos.
Não é apenas ter júbilo nos aplausos, mas encontrar alegria no anonimato.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver,
apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si,
mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Ser feliz é deixar viver a criança livre, alegre e simples que mora dentro de cada um de nós.
É ter maturidade para falar "eu errei".
É ter ousadia para dizer "me perdoe".
É ter sensibilidade para expressar "eu preciso de você".
É ter capacidade de dizer "eu te amo".
É ter humildade da receptividade.

Desejo que a vida se torne um canteiro de oportunidades para você ser feliz...
E, quando você errar o caminho, recomece.
Pois assim você descobrirá que ser feliz não é ter uma vida perfeita.
Mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância.

Usar as perdas para refinar a paciência.
Usar as falhas para lapidar o prazer.
Usar os obstáculos para abrir as janelas da inteligência.

Jamais desista de si mesmo.
Jamais desista das pessoas que você ama.
Jamais desista de ser feliz, pois a vida é um obstáculo imperdível,
ainda que se apresentem dezenas de fatores a demonstrarem o contrário.

"Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Sinopse de Esboço do Destino

A procura interior de um escritor pouco inspirado leva-o a personificar a sua consciência, chama-lhe Deus e ouve-a num misto de perplexidade fingida e respeito. A conversa “divina”, consigo mesmo, exalta-lhe a caneta e provoca o nascimento de uma história moral. Personagens que vestem pensamentos e atitudes reais de uma sociedade de aparências e ao mesmo tempo de rupturas entre gerações, a moral fingida e a ética real. Meados dos anos 70, ilustrados numa família de classe média, auto-intitulada de classe alta, cheia de virtudes imorais, onde o que parece nunca é. Um esposo sério fora de portas, uma mulher respeitada na rua, habitantes de uma casa de mentiras, traição e quizílias familiares. Uma amante critica dos maus costumes e seguidora dos mesmos, um filho recém-rebelde, pseudo-apaixonado por uma actriz, que o encanta com o cheiro da liberdade física e sobretudo psicológica.O clímax de um escritor que ganha noção da criação, se desprende da sua consciência, e se torna dono e senhor da caneta, com a tinta que lhe corre nas veias. O poder de riscar o destino...
Que comece a vida...

...dia 16 de Junho.

terça-feira, 22 de maio de 2007

Muitos Parabéns

Muitos parabéns para a nossa colectividade que hoje comemora 82 anos.
É obra!!
Pelo trabalho e dedicação que todos os que trabalham nela, para os sócios e amigos, o Grupo de Teatro deseja muitos anos de vida!

segunda-feira, 21 de maio de 2007

O nascimento do “ Esboço do Destino”

Em 1999 comecei a escrever a minha primeira peça de teatro, por prazer pessoal, sem qualquer objectivo de lhe dar vida. Contava a vida de um rapaz de família humilde que se apaixonou por uma rapariga cujo maior sonho e objectivo era ser actriz. O pai boémio desde sempre, autoritário, egoísta, acaba por reconhecer os seus erros e tenta reconciliar-se com a vida. A mãe solitária, presa ao passado, infeliz, com grande amor ao filho. O fim, trágico... A rapariga, de nome Silvia, deixou Jorge e foi estudar teatro para o estrangeiro. Este despedaçado começou a drogar-se, o Pai assim que soube não resistiu a essa desilusão e suicidou-se. Entretanto Silvia volta de Inglaterra e reencontra Jorge. O amor renasce até que a Mãe dele a vê...
Dei-lhe o nome de “A Vida, o Amor , a Morte”. Cheguei a ensaia-la por brincadeira na garagem de um amigo, curiosamente o Miguel, membro actual deste grupo de teatro. Ficou por aí, por uma brincadeira!
7 anos depois, resolvi pegar nesse original, reli-o e achei-o pobre, muito pobre. Reescrevi a fundo da primeira à última linha, criei personagens, um Deus, um Escritor, uma Amante. Eliminei partes significativas (O passado do Pai e da Mãe) e criei novas acções. Rebatizei-a, “ O Esboço do Destino”. Terminei a 26 Junho de 2006. Hoje ao ler o primeiro original, em nada se reconhece no segundo e, no entanto, um é o complemento do outro. E de uma brincadeira de garagem passou para a seriedade de um palco com história, nas voltas que a vida dá...

“Apetece-me tanto gritar,
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh(...)”

domingo, 20 de maio de 2007

Abrigo Temporário a 9 de Junho no G.B. 22 Maio

Pelos festejos do 82º aniversário do G.B. 22 de Maio da Idanha, vamos receber no dia 9 de Junho a Oficina de Teatro de Almada, com a peça "Abrigo Temporário".







“ABRIGO TEMPORÁRIO”
17ª Produção da Oficina de Teatro de Almada
Ficha técnica:

“ABRIGO TEMPORÁRIO”
a partir de textos de : Ana Hatherly, Anton Tchekov, David Lodge, Edson Athayde, Luís F. Veríssimo, Mário – Henrique Leiria e Ruben Braga.

Adaptação, Dramaturgia e Encenação: Fernando Rebelo

Intérpretes: Sandra Quá, Pedro Bernardino, Fernando Rebelo

Cenografia: Jorge Barros Gomes

Grafismo: Nuno Quá

Figurinos: Alice Rôlo

Técnica: Patrícia Vieira

Voz ‘spot’ rádio: Alexandra Sargento

Vídeo e fotos: Rui Pina

Do espectáculo:
«Não é necessário que saias de casa. Fica à mesa e escuta. Não escutes, espera apenas. Não esperes, fica em silêncio e só. O mundo virá oferecer-se a ti para que o desmascares, não podes fazer outra coisa, extasiado, contorcer-se-á diante de ti.»
Franz Kafka

É o teatro à procura de abrigo em textos que lhe não pertenciam.

Abrigos temporários... Textos - abrigo transformados de forma a caber no teatro.
Na nossa condição de grupo teatral sem abrigo procurámos guarida em textos concebidos para a leitura solitária. Queríamos perceber a dificuldade de uma decisão:
«Sair da cama?»

Lá fora, o mundo está cada vez mais complicado e hostil; revela-se cada vez mais perigoso. Convém, pois, correr o mínimo possível de riscos.
Podem crer, o mundo é um lugar perigoso...

sábado, 19 de maio de 2007

Subir ao palco

Porque a seriedade da vida nos corrompe e envelhece, tiramos a roupa suja e velha, e vestimos uma nova, com vaidade. Fazer teatro não é só fingir, é sobretudo sentir. Sentir, sofrer e ser feliz. É sentir que “olhos nos vêm”, o que sentem as pessoas, as de fora, as reais, as obscuras, com a vida da nossa personagem. As personagens são as paredes de uma casa vazia por dentro, têm aparência, têm presença, têm cheiro, têm tacto. Sobretudo têm o presente, mas não têm nem passado nem futuro. São, mas nunca foram nem serão. Para mim, personagem por dentro e por fora, mesmo na realidade da vida, o segredo, no teatro e na escrita é precisamente esse, Ser presente, nada dever ao passado e nada temer ao futuro. É isso que liberta, é isso que consume, é isso que apaixona.

Vitor Nunes

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Quem somos

Este Grupo foi fundado em 29 de Setembro de 1929 com o nome de Grupo Cénico 22 de Maio por Armando dos Santos, as duas primeiras peças encenadas foram o drama “Na oficina” e a comédia “Os criançolas”.
Entre os anos de 1937 a 1944 as peças que obtiveram maior sucesso foi o drama em três actos representado em Agosto de 1937, “Rosa do Adro”, com a encenação de Armando Santos, as peças “ Castigo Merecido” e “Lucrécia Bórgia”, exibidas em Abril e Maio de 1939 tendo como encenador Alberto Carvalhal , o drama em três actos, o “Bombeiro Voluntário” e a comédia” Efeitos do Foot-Ball”, levadas a cena no mês de Dezembro do ano de 1944 por António Nascimento.
No ano de 1946, Armando Santos encena e é cabeça de cartaz da peça “ Cenas da Vida”.
O drama “ Duas causas”foi apresentado entre Maio e Junho de 1948, “O crime e a punição”, drama de três actos foi levada a cena entre Maio e Junho de 1952, tendo como encenador também Armando Santos.
“Rosa do Adro” volta a ser exibida nos meses de Janeiro, Abril e Maio de 1956.
Dois anos depois a peça é apresentada a peça “ Casar para morrer” e a comédia “Quem vê caras não vê corações”.
No ano de 1964, com a encenação de Zeferino Ferreira é levado a cena o drama em três actos “ Folhas soltas” e a comédia “Uma paragem de Malucos”.
No ano de 1973, Armando Santos leva a cena 4 peças, “ Nocturno de Chopin”, “As Andorinhas”, “Coroa de Rosas” e “Rosas todo o ano”.
Em 1979, este encenador consegue obter um grande êxito com a peça em três actos “ Gatunos de Luva Branca”
Devido á sua idade, corria o ano de 1980 quando Armando Santos encena as suas duas últimas peças, “Mar” de Miguel Torga apresentada entre Maio e Julho e ainda um extraordinário acto de variedades no mês de Setembro.
João Rodrigues, um “pupilo” de Armando Santos, inicia então a sua actividade no Grupo levando para palco peças como “ O Ser Sepulcro” e “Guernica”.
No ano de 1992, é levado a cena a peça de António Aleixo “ O Curandeiro” no mês de Outubro, e ainda as Revistas “ Ai que Grupinho” e “Café Valentim”. Nesse mesmo ano mas no mês de Dezembro é apresentado a comédia “O Criado do Tavares” e a Revista “São Só Cornélias”.
No ano seguinte é apresentado a Revista “ A Valentina”.
Em 1994, pela primeira vez é apresentada uma peça no 6º Festival de Teatro Amador do Concelho de Sintra, a comédia em dois actos “ Coisas do Sebastião”.
“Uma Casa de Doídos” foi a Comédia apresentada no ano de 1996, também participando no 7º Festival de Teatro Amador de Sintra.
“Ao Atiçar do Lume” de Joaquim Murale foi o drama de intervenção Social que o Grupo apresentou no ano de 1997, peça esta que foi apresentada várias vezes na colectividade e também em outros locais assim como no 8º Festival de Teatro Amador de Sintra, sempre com muito agrado.
No ano de 1998, o Grupo apresenta a Revista á Portuguesa “ Curva e Contra-Curva”, apresentada também no 9º Festival de Teatro Amador de Sintra, conseguindo nesse ano obter o Prémio Revelação para a jovem actriz Mara Vicente.
Em 1999, voltam a apresentar no 10º Festival de Teatro Amador de Sintra e várias vezes na colectividade a Revista á Portuguesa “ Afinal… não me Amava “
Após alguns anos parados o Grupo reinicia as suas actividades no inicio do ano de 2006 com apenas 5 membros e com imensas dificuldades voltaram a pôr de pé o Grupo e apresentaram no dia 24 de Abril, pelas comemorações do 32º aniversário do 25 de Abril, o espectáculo de variedades “Sons de Abril”, onde o Grupo de Teatro participou com uma pequena cena de Teatro, excerto da peça “As cores de Abril” e também com canções alusivas à época.

Em Dezebro de 2006 apresenta a comédia musical "Memórias de hoje, Memórias de sempre", numa alusão aos filmes portugueses.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Liberdade de Expressão

Outras fotos da Liberdade de Expressão....















Liberdade de Expressão

Tenho a liberdade debaixo do braço,
ando com ela para cá e para lá.

Por vezes balanço-a e voo
numa felicidade libertadora.
E lá de cima grito o que quero,
critico o que me apetece,
odeio por palavras a quem não gosto
e amo por gestos e por letras montadas.
Luto por tudo a que tenho direito,
e se os direitos que tenho não me chegam
grito mais alto e protesto.
De livre vontade estou inconformada,
grito sem me sentir amedrontada.


Tenho debaixo do braço a prenda que me deram.

A prenda que a vida dá igual para todos.
Dádiva que um dia nos quiseram tirar
e que à força nos prenderam.
Mas a liberdade tem vida própria
e nos cravos se encantou.
Deposito na minha boca, arma da democracia,
os cravos da alegria.
E com o vento a bater-me nas costas
rezo em voz alta pelo que acredito...
Viva a Autonomia...
Viva a Liberdade...
Viva a Democracia...

Vitor Nunes

Liberdade de Expressão

(Jornalista apresenta o programa)

Jornalista – Boa noite. Bem vindos a mais um programa, contra e anti-prós. Quero referir que transmitimos em directo, dos estúdios do G.B. 22 Maio.
Hoje e porque é 24 de Abril de 2007 vamos aqui debater a grande e histórica revolução do 25 de Abril. (...)
Tenho do meu lado esquerdo o Eng. António Mestre que defende a revolução e a queda da ditadura. Na minha extremidade direita o Dr. José Pinto Lopes, defensor da ditadura e seguidor de ideais salazaristas.
É bom voltar a lembrar que o tema de hoje é Liberdade de Expressão.

Eng. António Mestre, começo por si.

Eng. A. Mestre – Bom antes de mais, boa noite a todos.
Em relação ao assunto de hoje, o próprio tema já é um excelente argumento. Podemos dizer tudo o que pensamos, praticar e defender as nossas ideias. E é isto que se passa neste programa.
E com isto...

(Jornalista interrompe)

Jornalista – Dr. José Pinto Lopes

Dr. José P. Lopes – Eu também queria cumprimentar quem nos ouve e desejar muito boa noite.
O que eu defendo não é bem a ditadura do regime salazarista, mas acho, aliás, tenho a certeza que é bom podermos ter esta liberdade de expressão.
Para mim Salazar teve alguns aspectos positivos...

Eng. A. Mestre(interrompendo exaltado)
O Sr. esteja calado, não sabe o que diz. Devia ser preso por dizer isso.

(Para a Jornalista)

Desculpe, mas ou cala este senhor ou vou-me a ele.

Jornalista(para Dr. José P. Lopes)
É verdade, então estamos aqui num programa de liberdade de expressão e o Sr. vem com esse palavreado?! Realmente não é digno de estar no meu programa...

Dr. José P. Lopes – Mas...

Jornalista e Eng. A. Mestre – Cale-se!

Eng. A. Mestre – E a liberdade de expressão, hã??? Não havia!!!

Liberdade de Expressão

Sinto-me perdida no meu mundo,
na minha realidade,
vivo asfixiada.
Não posso partilhar este sofrimento.
Falo com a lua, só por pensamento.
Vejo nos olhos dos outros um espelho do que sinto.
Vejo nos olhos dos outros o poder, a felicidade por fazer sofrer.
Fizeram-me “pagar” só por ter falado.
Como podem eles acreditar que por calarem, as pessoas deixam de pensar?
Estão a subestimar-nos.
Tiram-nos valores morais, princípios de vida, dignidade...
Isto é puro cinismo.
Até eles acreditam nas suas próprias mentiras...
e Eu – Tu – Ele – Nós...
Vidas Perdidas!
Momentos vividos que vamos guardar, mas infelizmente de tempos que marcam pela negativa.
Já ouvi dizer, da boca dos que se acomodam, deixa andar que é o melhor para ti.
Não tem que ser assim.
Não tem que ser o melhor para mim, para todos.
Eu... só quero ser feliz.

Mauro Barata

Liberdade de Expressão

(Pedro e Manuel a conversa)

Manuel – Viva, Santos.

Pedro – Então Noz, estás bom?

Manuel – Cá vamos andando. Já sabes da grande novidade?

Pedro – Que novidade? O Eduardo saiu da prisão. Vou já avisar a minha mulher.

Manuel – Não pá! Do Salazar.

Pedro – Do Salazar? Não, não sei nada.

Manuel – O velho já não está à frente do pais.

Pedro – O quê? Morreu?

Manuel – Não, caiu de uma cadeira. Sentou-se mal!!

Pedro – Então agora quem é que nos desgoverna e censura catano??

Manuel – Sim, é esse mesmo. Afinal já sabias.

Pedro – Esse mesmo quem?

Manuel – O Catano, Marcelo Caetano.

Pedro – Esse também há-de cair, sentou-se na mesma cadeira.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Liberdade de Expressão

Este texto foi o que abriu o espectáculo de dia 24 de Abril .

Liberdade de Expressão, shhh, não se diz... não se fala...não se quer saber, agora tens de engolir a errata serpenteada a azul e adormecer na ignorância.
Os Deuses abandonaram-te á tua pouca sorte, atraíram-te para um encontro.

Para as escuras catacumbas, onde vês ao fundo a luz do anjo que te veio purificar, mente santa e salvadora mas também depravada.

Senhor de bons costumes e hábitos puros, sabiamente manipula as vontades do povo com promessas de pão e alegria.
Habilmente, em contra mão lá vamos nós, lá vai um país encantado.
Lá vamos rindo das nossas desgraças, por entre franjas e bigodes, vendo a cada dia que passa, a nação a ser dizimada numa batalha inglória.
As lágrimas que derramas em vão, enchem as margens de um rio podre que já nada mais dá, se não dejectos negros da nossa vergonha.
Sandra Cabaços

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Teatro Amador é...

Fazer Teatro Amador “ (...) é todo uma acto de abertura sentimental (...)”, pois é como uma daquelas paixões que só têm sentido quando é alimentada quase diariamente, a cada dificuldade, a cada obstáculo, é um novo desafio para vencer.
E quem faz Teatro Amador sabe do que falo, um dia são as luzes que não funcionam, no outro são as deixas que teimam em não sair, têm dias em que queres tanto fazer as coisas bem, que ficas revoltado contigo próprio quando não as consegues fazer, nesses dias só apetece ter um daqueles buracos bem fundos e enfiarmo-nos lá dentro.
Agora o engraçado, é que tudo pode correr mal, o ensaio geral ser a maior bodega, mas no dia D, tudo corre bem, como se por encanto houvesse magia, como se por magia exista a mão de algo ou de alguém que te guia no caminho certo...
Será que existe um anjo da guarda do Teatro...?

Sandra

Pensamentos....


"O teatro é o primeiro soro que o homem inventou para se proteger da doença da angústia. "
Jean – Louis Barrault (Actor Francês 1910-1994)